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21/07/2017
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EMPREENDEDOR NÃO PARA NUNCA
Por: Daniela Santos
Fonte: Sem fonte

Sergio Zimerman fundou a Petz depois do insucesso em outro segmento; criou um formato inexistente no mundo e acredita que o céu não é o limite

Santista, fã de Roberto Carlos, ‘pai’ de sete cães e de um gato com “alma de cachorro”, Sergio Zimerman é um empreendedor em ascensão. Seu ramo de atuação, o mercado Pet, movimenta  US$ 102,2 bilhões globalmente. O Brasil aparece na 4ª posição no ranking de população de animais de estimação no mundo, com 132,4 milhões de pets.

Esse contingente movimenta um setor que, em 2015, chegou a ocupar 0,37% do PIB nacional, número superior àqueles dos componentes elétricos e eletrônicos e da automação industrial. As vendas de Pet Food continuam sendo a maior fonte de receita, ocupando 67,3% do faturamento do ano passado, seguidas por Pet Serv, com 17%. Pet Care representou 8% e Pet Vet, 7,7%. Boa escolha para empreender, não.

Em 14 anos, a Petz – que nasceu “Pet Center Marginal” – chegou a 46 lojas e pretende anotar uma expansão com abertura de 20 lojas por ano até atingir as 120 lojas. Todas elas próprias.

O bem-humorado empresário fala da própria trajetória, das mudanças implementadas no seu negócio, do atual momento político e econômico que afeta o país e dispara: "o espírito de empreendedor não sossega nunca. O que nos move e o que dá graça é ir além, fazer algo a mais. Não é dinheiro que dá o prazer e, sim, a construção, que está focada no aprendizado".

Sergio Zimerman estará no Brasilshop SP no pilar de Empreendedorismo. Para conferir a programação completa do evento, clique aqui. Leia a entrevista abaixo.

 

Sergio Zimerman, Petz: exemplo de empreendedor que não para nunca

Por que escolheu o mercado pet?

SERGIO ZIMERAMAN: Eu atuava na distribuição de perfumaria e alimentos. O insucesso nessa atividade me levou a buscar outras alternativas. Na ocasião, eu tinha algumas possibilidades para utilizar essa loja da Marginal – uma delas era montar uma perfumaria de varejo, mas me desaconselharem por não ter fluxo de pedestre. A segunda opção era montar uma mega loja de brinquedos e, também, me desaconselharam porque já havia grandes cadeias de brinquedos.

Foi então que o meu cunhado, que produzia xampu de cachorro no quintal de casa, sugeriu a abertura de um pet shop. Para mim, isso não fazia sentido, pois uma pet shop costuma ser uma loja pequena, de 150 a 200 metros e nós tínhamos três mil metros.

Eu procurei o gerente da Pedigree para saber se o negócio valia a pena. Ele disse: “depende, se você estiver pensando em montar uma loja no formato da Cobasi, pode ser”. E eu não tinha a menor ideia do que era a Cobasi.

Fui conhecer as três lojas que eles tinham na época e pensei: por que não abrir uma dessas na zona Norte/Leste de São Paulo? Eu não sabia por onde começar e pensei que o melhor caminho seria abrir uma franquia da própria Cobasi. Eles não se interessaram pelo negócio.

 O que restou foi tentar aprender. Então, eu fui vários dias seguidos nas lojas para ver o que eles faziam, ficava andando pela loja, observando como o consumidor interagia, do que ele talvez sentisse falta, se era bem atendido. Notei algumas coisas: eles não vendiam filhotes; não cadastravam clientes; e não davam atenção na parte de serviços – nem na parte veterinária nem banho & tosa.

 

E qual é o DNA da marca?

SERGIO ZIMERAMAN: A fundação da Pet Center Marginal foi inspirada no modelo da Cobasi mas com alma própria, justamente focando no que eles não estavam dando atenção: relacionamento com o consumidor;  com foco em serviços e na venda de filhotes. Esses foram os grandes diferenciais de início.

Em alguns meses percebemos que a procura pela loja continua mesmo depois de fecharmos, às 21h. Então, numa reunião com a equipe e consultores, definimos que ficaria aberto 24h, criando um conceito inexistente no mundo. Quer saber o que São Paulo tem que Nova Iorque não tem? Uma pet shop aberta 24 horas!

O que poderia ser um problema, se mostrou uma grande oportunidade de fazer alguma coisa diferente. Isso já acontece desde 2003.

 

Como foi o processo de reformulação da marca?

SERGIO ZIMERAMAN:  Quando me perguntam a razão do nome, eu explico que é muito simples: quando você monta um negócio e não tem dinheiro, você precisa tentar dar o máximo de informação no próprio nome. Pet Center dizia o que a gente vendia e, Marginal, já dava o endereço. Não tínhamos dinheiro para fazer marketing. Depois de dois ou três anos a loja já estava indo super bem e nos levou a abrir a segunda loja. Em seguida, abrimos a terceira, e veio uma sequência de aberturas que culminou, no final de 2013, numa rede de 27 lojas.

Nessa expansão, abrimos três lojas no Rio de Janeiro mas elas não estavam sendo bem recebidas pelos cariocas. Fizemos uma pesquisa de opinião para descobrir o por quê. O consumidor falou: “não entendo como vocês vêm para o Rio de Janeiro e abrem um Pet Center Bandido”; “Eu imagino um cachorro com uma venda nos olhos e uma arma, pronto pra assustar a gente”, essas coisas.

Para eles, não existe a Marginal como uma via expressa, é apenas um sinônimo de bandido. E foram enfáticos em afirmar que a loja era bonita mas, o nome, horrível.

Nessa época tínhamos 27 lojas e a projeção de abrir mais 100, então optamos pelo sucesso futuro, trocando o nome das que já existiam. Contratamos uma empresa de branding e eles fizeram um trabalho procurando os nomes, e definimos o “Petz”. Esse é um nome que nós fomos nos apaixonando com a convivência. Hoje estamos felizes com a troca, não há rejeição ao nome, e é mais fácil comunicar, gravar. A troca foi uma grande sacada para sustentar a expansão nacional. Esse é um bom nome, inclusive, para usar fora do Brasil – Mercosul, EUA, Grécia... É um nome global.

 

O que motivou a parceria com o fundo de investimentos americano Warburg Pincus?

SERGIO ZIMERAMAN:  Em 2013, fizemos esse negócio com o fundo para realizar a expansão nacional com mais musculatura, ter mais governança corporativa na empresa, poder acelerar o ritmo de profissionalização e fazer a expansão com alguém que já tinha a experiência de operações de varejo no mundo inteiro.

Essa operação está em prática há dois anos e meio, ainda estamos em lua de mel. Existe uma relação super produtiva, um conselho de administração que se reúne uma vez por mês.

 

A abertura de franquias está nos planos da Petz?

SERGIO ZIMERAMAN:  Nós concluímos que lojas de médio e grande porte não são viáveis para serem franqueadas, todas serão operações próprias. Ainda estamos avaliando a viabilidade de lojas de pequeno porte para franquias, mas elas demandam uma qualidade no atendimento que é incompatível com o salário de um bom gerente e, esse salário, é incompatível com o faturamento. Teria que ser uma “loja de dono”. Mas não é um projeto de curto nem de médio prazo.

 

A crise não chegou à Petz?

SERGIO ZIMERAMAN:  Quando nós fizemos a negociação com o fundo em 2013, eu não tinha a menor ideia de como ia conseguir esses pontos [para a expansão], havia restrição de pontos em boas avenidas. E com o mercado aquecido, ponto bom não aparece! Também estava super difícil contratar mão de obra, havia um “apagão de mão de obra”.

Acontece que a crise afetou o nosso segmento, mas foi pouco, pois ele é um pouco mais parecido com farmácia. Mas afetou muito o setor imobiliário, o que acabou sendo favorável para nossa expansão. Em 2016 chegamos a 46 lojas – um crescimento de 12 lojas em relação a 2015. E a partir desse ano, devemos crescer a um ritmo de 20 lojas por ano.

Chegaremos às principais cidades do Brasil.